Wednesday, August 20, 2008

Férias no Cabinet


Tendemos a procurar refúgios (de várias espécies).
Quer sejam para umas férias, quer para nos deixarem sossegados durante 5 minutos a meia-hora.
Este é dilecto, e só o percebemos agora.
A instalação Cabinet d'Amateur (2001), de Pedro Cabrita Reis no Museu Colecção Berardo, é magnética.
Ao seguirmos no Passeio Marginal, a caminho dos subúrbios, lembramo-nos de que existe.
Ao cruzarmos a Praça do Império já chama por nós.
Ao entrarmos no Centro de Belém grita e é irresistível (como uma criança malcriada que chora por tudo o por nada e nos exige o dobro da atenção).
Um magnetismo especial leva-nos à ponta mais longínqua do museu (ignorando tudo o resto que já conhecemos de cor), onde ficamos todo o tempo que é preciso para disfrutarmos a sério da obra e do privilégio de a termos montada e à vista.
Aproveitamos os movimentos de gente que entra e sai, turistas que fotografam e crianças que nos contornam a correr.
Agarramo-nos com unhas e dentes e não queremos pensar na mais remota hipótese de uma dia a vermos desaparecer.
Será isto estar viciado?
Se for, estar viciado é um prazer.
Encontramo-nos lá (ou como diriam uns amigos: If you wanna kill me I'll be here).


Uma pérola do nosso Portugal.
Uma selling line como se quer: simples, directa e on benefit. (qual é o benefício? é ir, basta isso)
Claro que, assim, fomos.

Tuesday, August 19, 2008

Souvenirs






Começar por duvidar.
Acabar a acreditar.
No poder (e utilidade) das pedras (duas coisas assim juntas só podem tornar um "objecto" em muito especial!).
Em Escorpião com ascendente em Balança (uhooooo!).
Na grande 'na Tresa (tão grande que nos sentimos tão pequenos, não é?).
No amor para além da vidinha.
Na vida para além da morte.
.
E disto são feitas as férias.
Tal como queremos: aparentemente nada.
E por isso: Obrigado.
(ai que momento Laurinda!...)

Monday, August 18, 2008

Back To Life



"Back to life, back to reality
Back to the here and now
Show me how, decide what you want from me
Tell me may be
I could be there for you.
.
However do you want me,
However do you need me
How, however do you want me,
However do you need me.
.
Back to life, back to the present time,
Back from a fantasy
Yeah, tell me now, take the iniative
I'll leave it in your hands until you're ready (...)"
.
That's it: we're back (desculpem o registo, mas é de repetir tantas vezes para que lado fica o Castelo, o Bairro Alto e o Eléctrico 28).
A vontade não é muita, mas a convicção é imensa.
.
(Imagem: Caron Wheeler canta Back to Life (1989) no vídeo da música que fez com os Soul II Soul)

Sem Título



(por ser demasiado óbvio)

Friday, August 01, 2008

Verão



Tentámos arranjar uma réstia de energia para carregar este espaço de sugestões fúteis para o Verão.
Mas esta paixão é mais forte do que nós.
Retomámos-lhe o gosto e vamos para a rua.
Verão é mesmo é na rua, a por os olhos no que passa.
O que há de vir logo verão.
Até ao nosso regresso.

Erotica





Com o fim de True Blue (1989) e o lançamento de Erotica (1992) entramos em terreno movediço.
Deixámos de ouvir Madonna com a mesma dedicação.
Os hits radiofónicos e das pistas de dança limitam-se a chegar-nos aos ouvidos.
Porém, continuamos a ter-lhe a mesma admiração de sempre e um respeito que não podemos ignorar.
O poder das imagens que continuou a criar leva-nos a resumir aqui as criações mais relevantes (ou que, pelo menos, assim entendemos) (saltaremos por cima de muitas).
E começamos esta nova fase Madonna precisamente com o 1º single do novo disco com o mesmo nome: Erotica.
Lançado em simultâneo com o lançamento do livro escandaloso Sex, serviu-lhe também de banda sonora.
Fala-nos de erotismo e sexo, relações levadas ao limite, e é dançável (ou pelo menos pretendia ser).
Mas o melhor de tudo isto é mesmo o vídeo de Fabien Baron, de onde saíram alguns fotogramas para integrar o livro Sex, juntamente com as fotografias de Steven Meisel.
Madonna integra cenas de sexo, onde contracena com algumas starlettes como Naomi Campbell, Isabella Rossellini ou Udo Kier, e fá-lo com a consciência da provocação de estar a criar uma curta metragem em tom soft core.
De qualquer maneira é bom para ir de férias.
O que Madonna nos diz em Erotica não interessa nada, por isso não reproduzimos.

(imagens: stills do vídeo de Fabien Baron para a música Erotica de Madonna)

Wednesday, July 30, 2008

Se Estiverem à Procura


Estão no Minipreço.

Mobiliário Urbano XXIII



Um pérola rara na Lisboa que amamos: Mobiliário Urbano com a qualidade modernista, e assinatura de Mart Stam, e ainda por cima branco.
Quase poderíamos chamar-lhe Arte Sem Querer, mas seria coisa demasiado nossa.
Assim, limitamo-nos a acertar a escolha de encaixar este belíssimo exemplar (a nossa cidade está muito à frente) nas escolhas do melhor Mobiliário Urbano, e a deixar o apontamento do branco.
É certo que nem tudo o que é branco nos salva a alma, como diria o Sottsass. Mas mantém-nos crentes de que a salvação é possível.
Aguardemos.

Ohrwurm #3: Short People



É verdade que já estamos para lá (o que é que isto quer dizer? não sabemos e nem isso queremos saber).
Resta-nos arranjar alguma energia para fechar este espaço (temporariamente, entenda-se, porque não se livram tão facilmente de nós) e deixá-lo, tal como nós, em férias (essa coisa que a esquerda inventou para o povo e as burguesias descansarem do trabalhinho que fazem durante todo o ano).
Assim, achámos que, tal como as revistas nestas altura do ano, devíamos tornar tudo isto mais fácil, ao contrário da vida (que essa é muito difícil... ai Paula, nem queiras saber!...).
Daí que contamos sugerir meia dúzia de coisas neste muito pouco tempo que falta para nos pirarmos.
E como seguimos os nossos Royals, ficámos contentes com o Momento Laurinda Alves, cheio de ironia, proporcionado primeiro por Randy Newman, e agora por Pedro Mexia, no Estado Civil.
Newman canta-nos Short People (1977).
Vezes seguidas, sem conta.

"Short People got no reason
Short People got no reason
Short People got no reason
To live

They got little hands
And little eyes
And they walk around
Tellin' great big lies
They got little noses
And tiny little teeth
They wear platform shoes
On their nasty little feet
Well, I don't want no Short People
Don't want no Short People
Don't want no Short People
Round here

Short People are just the same
As you and I
(A Fool Such As I)
All men are brothers
Until the day they die
(It's A Wonderful World)

Short People got nobody
Short People got nobody
Short People got nobody
To love

They got little baby legs
And they stand so low
You got to pick 'em up
Just to say hello
They got little cars
That go beep, beep, beep
They got little voices
Goin' peep, peep, peep
They got grubby little fingers
And dirty little minds
They're gonna get you every time
Well, I don't want no Short People
Don't want no Short People
Don't want no Short People'Round here"

E assim convivemos com a diferença.
Uma metáfora para as pequenezes.
(imagem: capa do disco Little Criminals (1977) onde Randy Newman incluiu Short People)

Sunday, July 27, 2008

Comprava-te um Cão


"(...) Comprava-te um cão, Manuela, e tu em paga interessavas-te por mim, respondias-me, sem palavras, com grandes pupilas molhadas, submissas, agradecidas, humanas, escalavas as minhas pernas para me sujares a gravata e lográvamos, dessa forma, dobar o tempo sem que tropeçasses no primeiro objector de consciência tombado na alcatifa e partisses com ele, juntamente com a tua roupa e os meus castiçais de prata, para uma Índia impossível em cujos rios de lama se banham criaturas de turbante flutuando à deriva num céu de bronze lavrado. (...)"

em Tratado das Paixões da Alma (1990) de António Lobo Antunes, edição ne varietur pela Dom Quixote

Friday, July 25, 2008

Blue Design #6



Já anda aí mais uma Blue Design, a #6 (escolhemos uma das 3 capas desta edição: a dos Pedrita, com quem trabalhámos no projecto Fabrico Próprio).
Desta vez vira-se para oriente e traz-nos uma lufada desse ar exótico.
Passámos a, também aqui, estar lado a lado com Rui Catalão, que nos passa a falar de carros, esse mundo para nós desconhecido.
Fazemos uma homenagem, também pessoal, a George Nelson (em Swing to Modern) e falamos de coisas de criança em Royal in Blue.
Para sermos todos design (ai que linda selling line que de repente fizemos! ossos do ofício...).

Salvatore Ferragamo do Verão que Vem





Um clássico com (mais) monocromáticos da cabeça aos pés.
Gostamos mais do tom chique de festa do que dos casual em Robinson Crusoe.
Em bom.

(imagens: fotografias de Marcio Madeira da colecção Spring Summer 2009 da Salvatore Ferragamo via Men.Style)

Givenchy do Verão que Vem





Dado o sucesso da colecção da Calvin Klein (do Verão que vem) por estas paragens, decidimos prolongar a imagem das propostas monocromáticas (que é apenas uma selecção nossa, note-se).
E se o monocromático de Riccardo Tisci para a Givenchy é mais assente no preto, é também na contradição que assentam muitas das suas ideias.
E se, de repente, a passerelle (recusamo-nos a utilizar passarela) é invadida por fuchsia é precisamente por isso.
Não percebemos se são adultos ou crianças.
Se são bonzinhos ou mauzões.
Efeminados ou machões.
Que sentido faz misturar pele preta (kinky, como gostamos) com rendas na tal cor fuchsia?
Minimalismo com toque gótico?
Rendemo-nos a isso.
Até ao Verão que vem.

(imagens: fotografias da colecção Spring Summer 2009 da Givenchy via Men.Style)

Dear Jessie



Madonna a terminar os seus 80's com uma música infantil, lançada no Natal.
Uma beleza de imaginário para embalar crianças, que não nos constou ter chegado ao Malawi.
Fala de lanternas mágicas (que se esfregam), elefantes cor de rosa, paradas de amor (eh lá!), luas que dançam, carroceis e sereias.
O vídeo é uma animação com vários registos gráficos onde vemos desfilar toda esta fantasia (e onde a "lemonade" é um copo de Sprite), onde Madonna aparece como uma fada (na realidade parece-nos mais um insecto libidinoso).
Nada mais a acrescentar, apenas o que nos diz Madonna:
.
"Baby face don't grow so fast
Make a special wish that will always last
Rub this magic lantern
He will make your dreams come true for you (...)
.
(imagem: still do vídeo de Derek Hayes, produzido pela Animation City, para Dear Jessie (1989) de Madonna, do disco Like a Prayer)

Thursday, July 24, 2008

O que é esta Merda?



É certo que não estamos por dentro do mundo maravilhoso e encantado da Disney (nem das outras que concorrem com esta), e que nos ficámos pelas histórias da Bela Adormecida e da Gata Borralheira (como dizia a Formiga à Cigarra: "se vires por lá o LaFontaine diz-lhe que vá levar no cú.").
Acreditamos que todas as outras são variações floribelas destas (mas com mais dinheiro e mais mamas) (há que agradar miúdos e graúdos com estas coisas).
Mas como para as crianças todas as histórias (que são sempre duas diferentes apenas com detalhes) são novas, eis que o merchandising não perdoa.
E se é verdade que esquecemos muito esta secção, há alturas em que não podemos perdoar.
(e também em homenagem à nossa querida L.)
Alguma crianças na China montaram estas merdas, para algumas crianças daqui, com a mente deformada pelo mau gosto dos pais.
A televisãozinha no quarto da menina.
-Que depois o papá compra o DVD do Enchanted, para ficares em casa nas férias do Verão a ver, e não chateares.
- Mas não ponhas muito alto, que a mamã tá a ouvir a dona Júlia no plasma da cozinha. Tá fofinha? (porque entretanto a Vanessa é obesa e ainda ninguém percebeu que aquele top curto e justo era uma t-shirt vulgar)

Sara&André Foram Comidos



Mobiliário Urbano XXII



Bora ao IKEA comprar tudo novo?
(ou: Subsídios de Férias Urbanas)

Dita na Peta



Dita Von Teese é uma Royal.
A PeTA, no meio do fanatismo em que estas instituições todas caem, merece a nossa consideração.
A Dita ter acedido fazer esta borla pela PeTA é muito bonito. É quase Laurinda Alves, mas não chega bem a ser.
As imagens são maravilhosas, e enquanto aguardamos pela maioridade do Lux aguentamo-nos com estas.
Divirtam-se com o que têm.

Me Empreste Suas Penas



Socorro, não estou sentindo nada.
Nem medo, nem calor, nem fogo,
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir.
.
Socorro, alguma alma, mesmo que penada,
Me empreste suas penas.
Já não sinto amor nem dor,
Já não sinto nada.

Socorro, alguém me dê um coração,
Que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emocão pequena,
Qualquer coisa.

Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva.
Socorro, alguma rua que me dê sentido,
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada,
Socorro, eu já não sinto nada.

Socorro, não estou sentindo nada.

(Socorro de Rosa Celeste/ Ciclope na voz de Arnaldo Antunes, uma sugestão de Formiga Bargante para ouvir aqui)

Wednesday, July 23, 2008

Coincidências do Dézaine



Opening Week(end): de 18 a 21 de Setembro

100% Design, de 18 a 21 de Setembro
Tent London, de 18 a 21 de Setembro
(inseridos no London Design Festival, de 13 a 23 de Setembro)

Temos pena, mas trocamos Londres por Amesterdão.
Temos é dúvidas que o resto dos design victims o façam.

Monday, July 21, 2008

Porque é Branco XXIII



O gosto bucólico de Marie-Antoinette, que cercava o Petit Trianon, deu origem a um mito em forma de taça: esta Bol Sein de la Laiterie de Rambouillet ou, também conhecida como, Taça Mama. Diz o mito que o molde da taça foi tirado da própria mama da rainha.
Verdade ou mentira, o certo é que é um belíssimo exemplar do Gosto à Grega, do nosso gosto pelo branco (onde as porcelanas e os biscuits encaixam na perfeição) e das Porcelanas de Sèvres.
É uma proposta da Moss, que comercializa esta edição especialíssima, e cujo original pode ser visto no Musée Nationale de Céramique Sèvres.

(obrigado, Z.P., pela indicação que gerou a devida correcção)

Sunday, July 20, 2008

Um Aparelho de Rádio


"(...) um aparelho de rádio, de toalhinha de crochet no tampo, que jamais funcionou por não existir corrente nessa zona da vila, uma caixa de pau que a minha mãe encerava com amor e de que ficava rodando os botões por muito tempo, apaixonada pelo ponteiro que viajava às sacudidelas ao longo de uma floresta de números, e orgulhosa da música e das vozes emudecidas que continha.
(...) a recordar o dia tremendo em que ela acabou de encerar o rádio com uma pomada especial que custou no mínimo metade do ordenado do meu pai, arrumou o aparelho sobre a toalha de enxoval, com figurinhas e pássaros, da mesa de comer, toucou-o com um naperon engomado e a fotografia do padrinho na época em que assentou praça em Viseu, de perna cruzada num banco de jardim diante de um telão da Torre Eiffel, e rodou o ponteiro das vozes e da música amordaçadas pela falta de electricidade de Nelas, e prontas a empurrarem-se para sair da caixa de ressonância num fluxo feroz de reclames de pastilhas para a tosse e de marchas militares. O mostrador iluminou-se, mudou do negro ao rosa e do rosa ao dourado vivo das auréolas dos santos, um uivo de farol aumentou das entranhas da máquina a anunciar nevoeiros hertzianos, o meu pai e nós sentávamo-nos diante da telefonia como na plateia do cinema, o bugio cresceu acompanhado de roncos e de cuspos, a minha mãe, escarlate de decepção, girou a antena à cata de um posto mais benigno, uma traqueia doente silabou um discurso incompreensível e naufragou num vendaval de crocitos, logo substituída por um fragmento de valsa e uma segunda garganta que parecia dialogar com a primeira e que um ruído de fritura ou de leite derramado sumiu numa desordem de chispas.
- Desliga isso, pediu o meu pai, inquieto, a olhar o rádio que transbordava da mesa. Daqui a nada rebentas os fusíveis da cidade.
(...) a minha mãe correu para a telefonia na ideia de acertar a agulha do mostrador pelo Te Deum da emissora católica, que com o auxílio da Virgem lhe salvaria o tesouro das chamas, o meu pai despenhou um hipopótamo niquelado a lamentar-se Nunca há vinho nesta casa, que porra, quero cá saber de batatas e feijões que não alimentam ninguém, e nisto uma bobine ou uma resistência qualquer explodiu nos intestinos do aparelho, as minhas irmãs esvoaçaram aos gritos pela sala fora, e uma segunda resistência fulminou os candeeiros no instante em que os dedinhos indagantes do meu pai alcançavam um gargalo de água-pé oculto por detrás do frigorífico. Um pasodoble toureiro irrompeu numa majestade litúrgica e faleceu em claridades de magnésio, e de súbito, disse o Juiz, a caixa transformou-se numa pirotecnia de faúlhas, de foguetes de lágrimas, de relâmpagos, de bichas de rabiar, de ziguezagues de molas, de madeira queimada, de metais que escorriam, a minha mãe, armada de um travesseiro de palha, apagava as labaredas que surgiam sobre a mesa, soprava um naperon em torresmos, entornava uma cafeteira de água na telefonia desfeita, pisava o retrato da Torre Eiffel que caíra no chão num cintilar de iodo, e ao tornar da luz vimo-la juntar no avental os pedaços calcinados do que durante tantos anos, na Beira, a fizera sonhar, invernos e invernos, com foxtrotes de coreto e fandangos de romaria e colocar os carvões no crochet esburacado, vimo-la lançar pela janela as cinzas da fotografia, e vimo-la sentar-se na plateia, de mão em concha no ouvido, ao lado da minha irmã mais velha, a escutar enlevada os inaudíveis locutores de sempre, que desde o seu casamento cochichavam, só para ela, um impetuoso amor feito de notícias de descarrilamentos de comboios na Polónia, de tufões nas Caraíbas e de escândalos financeiros no Japão, enquanto o meu pai, de bruços no soalho, perorava, de nádegas ao léu, na grossa paz do vinho, povoada de quando em quando de sustos de aranhas e de ratos."
.
em Tratado das Paixões da Alma (1990) de António Lobo Antunes, edição ne varietur pela Dom Quixote

Calvin Klein do Verão que Vem





Um tipo de proposta a ter em atenção: os kits monocromáticos.
A mesma cor da cabeça aos pés, seja branco (uau!) ou outra cor qualquer (os fluorescentes também marcam pontos nesta ou noutra qualquer condição).
A colecção da Calvin Klein chega de um futuro próximo, com cores, materiais e recriações sporty para tudo.
Um Verão italo-americano para seguir à risca.
.
(imagens: fotografias de Marcio Madeira do desfile da colecção Spring 2009 da Calvin Klein, via Men.Style)

Friday, July 18, 2008

Cherish





Este blogue está a ficar tão aborrecido quanto o é o pino do Verão.
Meia dúzia de coisas por semana, um filme ou outro de jeito, Madonna e modas do Verão que vem: é isto a silly season.
Como não frequentamos festas monocromáticas no Algarve e a nossa vida privada não vos diz respeito, admitimos que sim, que é aborrecido.
Podem deixar de aqui vir, e voltar só em Setembro, até porque já há coisas marcadas, em bom.
Assim como assim, aqui nos ficamos com mais uma Madonna.
E, até essa, sem a graça a que nos habituou.
Depois de um Like a Prayer (1989) e um Express Yourself (1989) com sumo e envenenados, eis que surge Cherish (1989): um amor de Verão, que parece sempre mais forte e maior do que na realidade acaba por ser (como o próprio Verão).
Herb Ritts (um homem das modas) é o realizador do vídeo, que mais não faz do que mostrar, de modo exímio, Madonna em forma, acompanhada por um pequeno sereia (como é o masculino para isto?) e vigiada por uns grandes sereios (cá está outra vez a dúvida).
A relação é ambígua, mas em resumo Madonna não quer deixar dúvidas de que ama como as crianças, de que é boazinha e de que o amor transforma.
Uma beleza a preto e branco.
Não dá tusa mas diverte.
(desculpem a brejeirice, mas é Verão, ninguém, lê, e adoramos este dizer)
Diz-nos Madonna:
.
"(...) I was never satisfied with casual encounters
I can't hide my need for two hearts that bleed with burning love
That's the way it's got to be
Romeo and Juliet, they never felt this way I bet
So don't underestimate my point of view
.
Cherish the thought
Of always having you here by my side
Cherish the joy
You keep bringing it into my life
Cherish your strenght
You got the power to make me feel good
Perish the thought
Of ever leaving I never would (...)"
.
(imagens: stills do vídeo de Herb Ritts para Cherish (1989) de Madonna, no álbum Like a Prayer)

Thursday, July 17, 2008

Melissas de Hadid



Já tínhamos aqui declarado estarmos fartos de Zaha Hadid.
Não há publicação que não tenha uma novidade vinda do atelier da arquitecta, e as propostas são sempre a mesma coisa.
Para além disso, e a culpa já não é da arquitecta, têm surgido por todo o mundo wannabes Hadid que tingem o panorama de mais propostas como as da senhora.
E isto passa-se na arquitectura e passa-se no design, com as suas edições escultóricas e limitadíssimas.
Mas eis que nos surge uma boa surpresa, vinda, imaginem, do Brasil.
A Melissa, a marca de sapatos de plástico que convenceu as senhoras (até agora só as senhoras, que para homem ainda não se viu nada) de que sofrer com calor nos pés é um bom meio de parecer bem, vai editar um modelo de Zaha Hadid (para além de criadores de moda, já o tinha feito com os Irmãos Campana).
São, claramente, as suas linhas, mas não são um modelo óbvio.
Há um volume definido e há subtracção na superfície, deixando à mostra partes do pé e do início da perna. Há uma relação invulgar entre a base do sapato e a zona do salto. E há outra relação, ainda mais invulgar, e de assimetria, entre os dois sapatos, que é a cereja em cima do bolo.
Obviamente não foram pensados para as perninhas da arquitecta. Nem vale a pena explicar porquê.
Mas aguardamos por vê-los bem calçados (coisa que também não será fácil).
Só para o ano.
We'll see.

Monday, July 14, 2008

The Importance of Entertainment



Ann: Why don't you just kills us?
Peter: You shouldn't forget the importance of entertainment.
.
(excerto de diálogo de Funny Games, versão U.S.)

Saturday, July 12, 2008

Moschino do Verão que Vem




A ver se este Verão se envergonha e desiste deste tempo (meteorológico) em saldos.
A Moschino, a reaparecer, foge propõe novos clássicos (no meio de outras rebeldias punk, que já dispensamos) em cores navy ou pálidas, com alguns dos motivos icónicos a que nos habituou a fazerem micro-padrões.
Fins de tarde em Portofino ou serões de jogo em Las vegas.
O que mais podíamos querer para um Verão que ainda nem se avizinha?
.
(imagens: fotografias de Marcio Madeira da colecção Spring Summer 2009 da Moschino via Men.Style)